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CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.4  escrito em sábado 15 novembro 2008 16:49

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 Ao chegar no ambulatório, a menina estava sentada na cama, com as perninhas esticadas.
 O antibiótico administrado de oito em oito horas havia dado resultados positivos, era evidente que o medicamento reagia porque o ferimento de Mahrula mostrava uma surpreendente melhora.Assim que me viu cobriu os olhos com o antebraço, mas abriu um largo sorriso que não podia deixar de comove. Ela tinha gostado de mim. Eu fiquei muito gratificada com isto porque segundo Zeeka, Mahrula era um bichinho assustado que não permitia nenhuma forma de contato mais próximo, às vezes para tratá-la, os enfermeiros tinhas problemas pois debatia-se e chorava, gritando e só o cansaço vencia o comportamento arredio da pequena.
 Quando calma e só, ficava horas olhando para o teto com o dedo na boca.
 Fui lavar minhas mãos, o calor já começava a dar seus ares, e podíamos ouvir cigarras...
 Pela porta lateral entrou um homem, mas eu não me virei para olhar. Dei alguns pasos em direção ao lavabo quando o ouvi dizer:
_Você aí!
Continuei em direção ao lavabo achando que não era comigo, mas ele repetiu o chamado e então soube que era mesmo comigo...
_Você aí, de trança!
Era comigo mesma...dei uma brecada súbita e me virei em direção a ele.
_Precisa de ajuda?
Ele me olhou, levantando as sobrancelhas e disse meio irônico:
_Não, eu te chamei porque estou indo para o bar e queria companhia para beber.
Para não perder o hábito de devolver as ironias que me são dirigidas, olhei para ele com uma das sobrancelhas apenas de pé, e arrematei:
_Ah...puxa...não vai dar...Você é lindo, a companhia seria ótima, mas eu não sou muito chegada a bares...botecos não fazem meu gênero...mas, obrigada assim mesmo.
Ele olhou duro desta vez e disse...
_Engraçadinha...é das minhas não é? Ironia por ironia...faça logo o que tem de fazer, lavar suas mãos seja lá o que for, e volte. Preciso da sua ajuda aqui.
Virei-me imediatamente em direção ao lavabo.O sabonete de benjoim já podia ser sentido antes mesmo de eu abrir a porta.

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