Home Data de criação : 07/12/30 Última atualização : 09/01/01 21:33 / 40 Artigos publicados
 

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.6  escrito em sábado 15 novembro 2008 17:05

luísa artèsa, livro, publicações, experi~encias, contos, narrativas, textos

CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.6

"Agradando gregos e contrariando os troianos"

 Corremos rapidamente em direção aos gritos. Era normal estarmos alertas nestes casos, já que estávamos num país com conflitos políticos e sociais, e turbas e ataques eram previsíveis. Ia imaginando o que poderia fazer a criança gritar daquela forma ...a invasão de um animal selvagem (era possível), ou a invasão de estranhos, uma queda da cama, dor, mas os gritos me pareciam de terror. Medo era o que se traduzia naqueles gritos.
Assim que chegamos, para minha estranheza, havia apenas um mulher parada em frente a cama  da menina que gritava aterrorizada, como se visse um cão raivoso.
Vi que o Dr. Abel e Zeeka, que ainda estava no pavilhão, não se espantavam com a cena.
Passei pela mulher que inerte continuava frente a cama, e tentei acalmar Mahrula. Nisto, Zeeka com jeito, pegou a mulher pelo antebraço, e foi levando-a até a porta lateral de saída. A mulher que parecia em transe, apática, continuava olhando para a garota...e assim ela fez até ultrapassar os limites da porta.
Nada entendi. Mahrula se agarrava a mim como se eu fosse um tronco na correnteza. Pedi ao médico um esclarecimento sobre o ocorrido. O Dr. Abel então começou a contar:
_ É uma história desagradável que ainda a deixa em pânico. Este ferimento ulcerado na perna de Mahrula foi devido a um banho de água fervendo, e foi aquela mulher quem a feriu...e aquela mulher é sua avó. Vou te contar os pormenores...não julgue precipitadamente. Na verdade são duas infelizes.
Não era a intenção da avó feri-la, mas como estava alterada, devido a alcoolismo na ocasião em que perdeu o marido, ao atirar um recipiente com água fervendo numa parede, não viu que a garota estava na direção do golpe. Foi uma queimadura que acabou nesta ulceração porque ela não soube tratar, e quando nos procurou já estava em estado de inflamação crítico.
Maruhla chorou tanto que cansou...enfiou o dedo na boca e agarrada a mim dormiu...acomodei a pequena na cama, e a cobri com o lençol.
Fui até a soleira da porta para ver se Zeeka ainda estava com a mulher. Bem distante, avistei Zeeka levando a mulher, talvez até a sua casa.

Partager

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.107.191.114) para se identificar     

Nenhum comentário
CAMINHOS INDELÉVEIS _ CAP.6